Depois desta onda de vampiros teens e lobisomens descamisados e com barriga sequinha, temos a oportunidade de ver o que realmente um lobisomem faz. Uma das melhores adaptações de lobisomen chegou em DVD/BLU-RAY.
Todo um clima lúgrebre de uma Inglaterra que estava abandonando os campos em troca da vida nas cidades, que nasciam da indústria movida à carvão e fuligem, coroam a história do filho pródigo que retorna à casa do pai diante da morte do irmão mais velho. Construindo a psicologia de Lawrence Talbot (Benicio Del Toro) entre o rancor que guarda do pai, Sir John (Anthony Hopkins), e a idéia das multi-personalidades de um ator teatral, num tempo em que a profissão ainda sofria muitos preconceitos ligados à loucura e à afetação, Johston fundamenta o retorno deste personagem a um cenário já cheio de conflitos, antes mesmo que a maldição das luas-cheias se apresentasse à ele.
Investigando a morte do irmão, sob a perspectiva de um brutal assassinato que poderia estar ligado a uma comunidade de ciganos que vive nas redondezas da cidade, Lawrence entra em contato com os elementos desconhecidos, e portanto, não totalmente compreendidos de uma história que desafia a razão de sua época.
Ao ser atacado por um animal feroz e salvo pela curandeira cigana, o protagonista passa a sofrer perturbações de ordem psico-física que afloram na presença da bela noiva de seu irmão, Gwen (Emilly Blant).
Rodeada de grandes estrelas, a atriz Emilly Blant faz bonito!
Interessante como a perspectiva mostrada pelo filme ligue a ideia do desconforto da fera em contraponto à presença feminina, sendo Gwen o elo que desperta em pai e filho à lembrança da antiga tragica morte da mãe, situação que os afastou definitivamente. Na clássica história de A Bela e a Fera vemos a docilidade da mocinha transformar o coração do monstro, enquantoem O Lobisomem a bestialidade da fera impede qualquer possibilidade de aproximação entre os dois que não seja trágica.
Interessante como a perspectiva mostrada pelo filme ligue a ideia do desconforto da fera em contraponto à presença feminina, sendo Gwen o elo que desperta em pai e filho à lembrança da antiga tragica morte da mãe, situação que os afastou definitivamente. Na clássica história de A Bela e a Fera vemos a docilidade da mocinha transformar o coração do monstro, enquanto
Hugo Wearving interpreta de forma maestrosa
Nesse tom de maldição de família e tragédia anunciada, Lawrence passa a ser perseguido e é internado num sanatório em que se acredita poder dissuadi-lo da idéia de ter se tornado um monstro. Aqui o diretor aproveita o circo montado para expôr Lawrence como louco, e produz uma cena de transformação de homem em lobo na qual é possível sentir o desconforto das mudanças físicas que tomam conta do personagem. E esta é uma cena de aposta, é conquistar ou perder o espectador, que hoje tem os olhos acostumados a efeitos digitais e não se satisfaz com pouco.
Benicio Del Toro e Anthony Hopkins marcam o duelo final de seus personagens com uma cena que resume a estética do filme: num cômodo da casa decadente, à luz da lareira que ajudará a provocar o incêncio que vai enterrar a maldição dos Talbot, dois homens transformados em animais lutam para decretar que apenas um deles pode continuar.
Hopkins nos brinda com mais uma belíssima atuação.
E Hopkins rasgando a camisa e mostrando o peito ao adversário pode soar engraçado, e ter sido pensado apenas como efeito para ajudar o espectador a reconhecer quem é quem debaixo das máscaras e maquiagens, mas resume também uma moral masculina ligada à animalidade que nos filmes indies e fofos de hoje não haveria motivo para expressar.
Sujo, escuro, com vísceras expostas e sangue por todo lado, O Lobisomem faz com que, através do cinema, façamos uma viagem a um passado estético que nossa ansiedade pelo futuro tem nos impedido de aproveitar desde que nos ensinaram a estar atentos e prontos a apontar o dedo a tudo que não seja atual ou virtual.
o resultado é competente, o monstro é especialmente fascinante. Anda sobre as pernas, como um homem, e corre feito um lobo. Seu rosto não tem o focinho alongado, consagrado no gênero na década de 1980, e ele passa o tempo todo vestindo as roupas de Talbot, num sinistro amálgama de primata e lupino que remete ao original de 1941.
Em tempos em que lobisomens adolescentes não conseguem passar uma cena sequer sem tirar a camisa para exibir seus abdômens tanquinho, um lobisomem vestido como cavalheiro vitoriano e agindo com a ferocidade e selvageria esperadas de uma criatura desse tipo! Eviscerando, decapitando e devorando suas vítimas, pode soar de maneira negativa. Mas a autenticidade da historia é algo mais que bem vindo nas telas atuais.
O filme não decepciona e vai alem da pipoca, com certeza vai a agradar os amante da bela arte e os carniceiros de plantão!
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Olá, Foose!
ResponderExcluirÓtima crítica. Assisti ao Lobisomen do Benicio Del Toro e é realmente fantástico. Foge das babaquices atuais. Já nasceu clássico! abração!
O mesmo blog em novo endereço
ResponderExcluirPessoal, parece que algumas pessoas ainda não perceberam, mas o blog Foose está em outro endereço desde o dia 22/10/10. Peço para vocês, fiéis leitores deste humilde blog, que atualizem seus favoritos para o novo endereço. Agora é: http://setimaart.blogspot.com/
Obrigado.
Atenciosamente:
Foose
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